Viver a vida!

Postado em TV com as tags , , , , em 17 Novembro, 2009 por Zailda Coirano

Eu só gostava de novela quando a TV chegou a Araçatuba e eu ainda não sabia o que era bom. Senso crítico nunca me faltou – até sobra – e é claro que logo eu comecei a questionar as bobagens que as novelas traziam embutidas, presumidas e escancaradamente esfregadas em nosso nariz. E além disso não tenho saco nem tempo para assistir dramalhão com sabor de “dejà vu” que se arrasta por meses para tudo ficar certo no minuto final do segundo tempo de prorrogação.

Mas acabei descobrindo que ver novela é útil, ou pelo menos pode ser em minha profissão. Sou professora de inglês e não uso traduções nem explicações de mão beijada, os alunos vão aos poucos deduzindo através de minhas perguntas e exemplos. Quando chega no ítem “relações familiares” sempre esbarramos no conflito cultural ou de gerações, sei lá. Uso como exemplos os personagens dos seriados da TV a cabo. Meus alunos em sua maioria também possuem TV a cabo, mas fazem aquela cara de “Ahn?” que me deixa frustrada.

Então decidi que ia assistir novela. Pelo menos uma. Todo dia, religiosamente. Assim teria profusões de exemplos e de situações para usar em minhas aulas. Sacrifício profissional, se Maomé não vê TV a cabo, a montanha vai ver novela então.

Meu marido fez cara de dúvida, meus filhos deram risada. Mas comecei a fazer a lição de casa, aproveitei que a novela estava começando e me sentei todos os dias depois do Jornal da Globo para acompanhar a trama da novela das 8, aliás das 9, esse horário é para enganar trouxa.

Tédio total enquanto se delineavam os personagens, de nada estava adiantando porque além de não acontecer nada não consegui guardar o nome de nenhum deles, nem de decorar suas relações complicadas demais para minha cabeça cansada depois de um dia todo no lufa-lufa. Mas enfim, não costumo abandonar nenhuma missão pela metade, por mais indigesta que ela seja.

E vai que depois de mais alguns dias de santa paciência a coisa desandou e começou a acontecer de tudo! Ótimo, mas agora eu estou mais interessada no desenrolar da trama e em seus personagens que nos exemplos para a aula.

Os personagens

Percebi que os personagens não são janeteclarianos, aquela eterna disputa do bem contra o mal. Se há essa disputa, ela se desenrola dentro de cada um deles, em sua grande maioria abrigando um lado “mocinho” e um lado “bandido”, como aliás todos os seres humanos que conheço. Bem mais próximos da realidade eles vivem dramas comuns a todos nós, ou pelo menos uma boa parte de nós. Parece-me que existe mais uma preocupação em mostrar uma ficção mais próxima da realidade que de mascarar a realidade para ficar mais boninitinha e usá-la em forma de ficção.

O vilão da história

O que me encantou nessa primeira parte da novela foi a “vilã” do pedaço, que não é nenhum personagem, é uma velha companheira que todos conhecemos bem: a culpa. Pelo menos nessa primeira parte é ela quem determina o andar da carruagem e faz com que os personagens sintam-se mais fortes ou mais frágeis. Ela fez a durona Helena desabar, e mais ainda deve rolar por conta desse sentimento que vai envenenando aos poucos a vida das pessoas, distorcendo sua visão das coisas e permitindo que elas ajam de uma forma irreconhecível de acordo com sua personalidade.

De quem é a culpa?

Mas afinal, de quem é a culpa pelo acidente que vitimou a Luciana? Há controvérsias, senão vejamos:

- Da forma mais simplista, a malvada madrasta que literalmente a colocou dentro do ônibus e portanto, fadada a sofrer um desastre? Mas aí há algumas perguntas:

  • A Helena sabia que o ônibus ia explodir?
  • A Helena sabotou o ônibus botando umas vacas em sua frente para o motorista despencar ribanceira abaixo?
  • Ela tem o poder de fazer o ônibus desbarrancar com o poder do pensamento?
  • Foi praga que ela rogou quando disse: “eu quero que você viva, mas viva muito para aprender…”?
  • Ela foi omissa porque prometeu à mãe da garota que ia tomar conta direitinho dela, baby-sitting o tempo todo?
  • Ela devia ter sido mais paciente?

Ah, mas tem que ter um saco de filó pra aturar aquela guria petulante, não é? Convenhamos que ela teve paciência de Jó, eu a teria deixado tetraplégica bem antes e com minhas próprias mãos, torcendo seu lindo pescocinho de garota mimada.

- A culpa seria da própria Luciana?

  • Sabem, aquela história de karma e coisa e tal. Sendo como é, talvez o Todo-Poderoso criador achasse por bem dar-lhe uma lição, fazê-la aprender à força o que não aprendeu na hora certa. Respeito, paciência, humildade, essas coisas todas que se ela tem, não usou em um minuto sequer desde que a novela começou.

  • Ela cavou seu próprio buraco, depois de a Helena ter dado a chance da vida dela, em vez de ficar agradecida ficou se achando e deu no que deu.

- A culpa foi dos pais da Luciana?

  • Se tivessem se esmerado um pouco mais na educação da guria ela não teria caído na arapuca da própria língua. Foi falar o que não devia, levou uma bofetada e uma passagem de ônibus na fuça. Uma roubada, diga-se de passagem. Sabe aquele negócio do efeito dominó? Achavam tudo o que ela fazia uma gracinha quando era pequena, esqueceram que quando ficasse adulta ia perder um pouco a graça e os outros poderiam não ver graça nenhuma. Como aconteceu com a madrasta-megera.

- Estava escrito?

  • Segundo essa teoria, tudo ia acontecer desse jeito mesmo, se ela fosse no carro da Helena o ônibus ia derrapar e bater bem do lado onde ela estava e tudo ia acontecer do mesmo jeito. Se ficasse no Brasil, ia cair de uma escada ou coisa que o valha.

E só mais uma coisinha. Não importa de quem foi a culpa. É natural do ser humano ficar procurando culpados em vez de encarar a verdade e partir para o trabalho. O mais importante é dar força para a guria se recuperar, nem ficar distribuindo bofetadas, juras de morte e afins por aí. Brabeza não vai fazer a garota andar nem vai melhorar nadinha o estado dela. Nada produtiva essa linha de pensamento, não leva a absolutamente nada.

E quer saber mesmo a minha opinião? Do jeito que ela acordou, acho que além de ter ficado tetraplégica bem que o autor da novela podia quebrar o nosso galho e deixá-la muda também. Haja paciência pra aguentar a revolta dela. “Por quê isso foi acontecer justo comigo?” Ora, meu bem, porque você estava no lugar errado, na hora errada, porque disse a coisa errada para a pessoa errada. Para acertar agora, só parando de falar besteira, senão daqui a pouco o Brasil todo vai estar torcendo pra que aquela sua irmã malvada pregue uma fita crepe nesse seu bocão.

Leia também: Novela é que nem sogra: quem viu uma já viu todas


Agora que descobriram que o cara é rico…

Postado em Bobeirol com as tags , , em 5 Outubro, 2009 por Zailda Coirano

Estou falando da novela, aquela na qual o macaco atua melhor do que a maioria dos atores… pinta melhor que o pintor… sabe qual é, né? Então, a senhora de meia-idade arranjou um namorado, todo mundo foi contra. Agora que descobriram que ele é rico e que quer casar com ela, estão dando uma de cupido. Ó, gente interesseira!

Se fosse só na novela passava, mas de gente interesseira e materialista o mundo está assim, ó! Gente rica fica bonita, inteligente, charmosa e está sempre com a razão. Pelo menos assim pensam esses aí de quem estou falando.

Pior é que a senhora de meia-idade fincou pé que agora não casa e pronto, para desespero dos parentes que já estão contando antecipadamente os dólares que acham que rechearão suas contas-correntes assim que a senhora turrona se decidir.

Antes o cara não valia nada, era um oportunista e aproveitador. Bastou descobrirem que a conta bancária dele está derramando dinheiro pelo ladrão (eu disse ladrão?) e já estão simpatizando com ele e lutando por sua causa.

Pois é, minha gente, pra essa gente aquela máxima antiga não vale nada: dinheiro não traz felicidade. Devem estar pensando: e daí? Com dinheiro eles podem todos ser infelizes em Paris, pois não?

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Coisa de família

Postado em Comportamento, Pessoal com as tags , em 11 Setembro, 2009 por Zailda Coirano

Algumas pessoas leem as postagens desse blog e levam tudo ao pé da letra. É claro que muito do que está escrito aqui é a pura verdade, nada além da verdade. Mas também é verdade que o blog (como já fica bem claro a partir do nome escolhido para ele) é destinado a postagens assim meio que na base do humor, esculacho e até um certo deboche, se me permite o caríssimo leitor. Como bem já diz o título do blog, ele é coisa para quem não tem o que fazer. Entenda-se por isso que não tem o que fazer quem o lê, já que a autora que aqui vos fala tem muitas ocupações, sim senhor.

No entanto não pode o leitor culpar-me por minhas postagens temperadas a deboche e escracho, já que o problema (se é que alguém vê nisso um problema) já vem de família, está no sangue, ou para ser mais moderna, é carga genética. Como minha avó sempre dizia, meu avô apesar da pouca instrução já tinha lá seus momentos de não ter o que fazer e os dedicava quase que integralmente à fina arte de caçar chifre em cabeça de cavalo, inventar moda e criar piadas infames para divertir-se à custa dos incautos.

Confesso aqui humildemente que herdei boa parte dessas características, que como aconteceu com meu avô, não me levaram a lugar nenhum, mas sem dúvida me renderam bons momentos de sumo prazer secreto ao fazer de bobos aqueles chatos de cada dia que toleramos porque não há outro jeito, mas que via de regra nos enchem o saco com suas perguntas indiscretas, frases feitas e filosofias baratas de párachoques de caminhão.

Pois meu avô perdoava tudo, só não engolia pobreza de espírito, o que aliás também não me desce pela goela. Com seu parco estudo, mal sabendo rabiscar seu nome numa garatuja que representava sua assinatura, tinha porém a mente fértil quando se tratava de fazer de bobos aqueles que julgava chatos, pobres de espírito ou puramente inconvenientes (mesmo que desconhecesse essa palavra).

Uma das coisas que minha avó mais gostava de contar sobre meu avô a respeito de seu senso de humor todo particular, daquele que só faz rir uma pessoa – que o inventou – deixando a outra com cara de bobo, eram os nomes de seus cachorros. Tinha sempre um, já que morava em um sítio e deles necessitava para vigiar suas parcas posses. O primeiro da lista, viveu muitos anos e até seus filhos lembram-se dele: Segredo.

Pois então apeava lá um cavaleiro já conhecido de meu avó que estava sentado à sombra, alisando cuidadosamente a palha para fazer o cigarrinho de depois do almoço, e era gentilmente recebido com um aceno de cabeça e um convite para sentar-se. Pedia um copo dágua e então reparava no cachorro, sentado ao lado de meu avô e deitando no visitante um olhar de puro desprezo e suspeita.

- Belo cachorro, Seu Benício. Como é o nome dele?

Meu avô, sossegado, os olhos baixos para que seu interlocutor não lhe adivinhasse o sorriso irônico, internamente saboreava o prazer que a resposta lhe provocava:

- Segredo…

E minutos depois lá ia o visitante, intrigado e pensando por muito tempo naquilo. Meu avô, mal o amigo virava a primeira curva da estrada, caía numa gostosa gargalhada.

Naturalmente que um dia Segredo partiu, para tristeza da família, mas como nada nem ninguém é insubstituível meu avô arranjou outro cachorro, que logo batizou de “Não digo”. Imaginem pois a cara dos visitantes que apeavam à sombra para conversar com meu avô e que por falta de assunto caíam no óbvio e perguntavam o nome de seu cachorro. Esses iam ainda mais intrigados para suas casas e minha avó conta que até brigas acaloradas aconteceram por causa do nome desaforado do cachorro.

Meu avô foi envelhecendo mas não perdeu o bom humor, e quando Não digo morreu tratou logo de substituí-lo. Os anos haviam se passado e muita coisa havia mudado, só não mudaram as pessoas. E meu avô, já de cabeça branca sentava à frente de sua casa num sítio à beira da estrada e eis que chega um visitante. Cumprimenta meu avô, senta-se e começa a conversar. Num dado momento repara no cãozinho ao lado dele e pergunta, para puxar assunto:

- Belo cachorro, seu Benicio. Como é o nome dele?

E meu avô, de parco estudo mas muito senso de humor, abrindo um sorriso misto de prazer e ironia, na sua fala mansa de velho do interior, alisando sua palha de fazer seu cigarrinho de depois do almoço:

- “Prigunta a ele”.

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Desventuras de blogueiro

Postado em Bobeirol com as tags , , , , , , , , , em 25 Agosto, 2009 por Zailda Coirano

Então você começa a escrever um blog e ele não decola nem que a vaca tussa, aí você lê não sei onde, num desses blogs de experts, que para ele decolar você tem que divulgar. Aí você corre e cria uma comunidade no orkut para ter um contato mais direto com seus leitores, a comunidade começa a tomar uma boa parte do seu tempo mas você não descansa, blog de manhã e gerencia sua comunidade à noite.

Aí não se sabe por que cargas dágua você acha que não está legal ainda e resolve criar um grupo no Google para ter ainda mais acesso a seus leitores – e eles a você. A coisa vai de vento em popa, você passa a manhã procurando notícias, lendo emails e blogando, à tarde entra no grupo e bota uma ordem, à noite gerencia a comunidade do Orkut. E o blog vai indo bem, obrigado.

Mas você ainda não está satisfeito, não é ainda o que você quer, já nem vai mais trabalhar, fica em casa o tempo todo em frente do computador, até que vem a idéia brilhante: cria uma rede Ning. Aí você começa a dividir as tardes entre sua rede e sua comunidade, de manhã ainda escreve em seu blog.

Então você vê que tem um participante que escreve mais que você na comunidade e que as postagens dele recebem mais respostas que as suas, então decide deixá-lo como administrador e continua com seu blog, sua rede e seu grupo. Mas o blog começa a bombar e você tem que responder vários comentários por dia, são pedidos e mais pedidos, tem que fazer pesquisas e precisa da tarde livre, então pede ao membro mais proeminente de seu grupo que o gerencie para você. Como ninguém quer assumir o papel de administrador, deixa sua rede às moscas.

Depois de 6 meses volta à rede e descobre que ela teve mais sucesso depois que você parou de frequentar, deletaram sua comunidade por denúncias de abuso, o moderador clonou seu grupo e levou consigo todos os membros. Você passa a noite toda xingando-o pelo Twitter, perde metade dos seus seguidores. No dia seguinte, arrependido, escreve no seu blog espírita uma mensagem de amor e paz, o moderador do seu ex-grupo vai lá e o acusa de plágio, você fica morrendo de ódio e deleta o blog.

Aí você acorda no meio da noite, suando frio e babando, corre pra ligar o computador e descobrir que foi tudo culpa das biritas a mais que você tomou naquele coquetel de blogueiros onde você foi pra descobrir que as blogueiras gostosas que você sempre admirou na verdade são um casal de velhotes gays de barbicha branca e barrigudinhos.

Mas o que seria da gente sem internet?

Leia também: Juro que tentei

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Novela é que nem sogra – quem viu uma já viu todas

Postado em TV com as tags , em 17 Agosto, 2009 por Zailda Coirano
Muda a TV e o público, as novelas continuam as mesmas, só muda o nome.

Muda a TV e o público, as novelas continuam as mesmas, só muda o nome.

Pois é, e olha que eu sei do que eu estou falando, porque pelo menos de sogra eu entendo. Novela faço questão de não entender, e tem alguma coisa pra entender afinal?

Quando eu era pequenininha lá no século passado, ano de 63 ou 62 (quem é que vai lembrar) vi minha primeira novela. Aliás já estou mentindo, não vi nada porque era no rádio, nem havia televisão no interior de São Paulo, que era onde eu morava. Todo dia eu ouvia e minha vó atrapalhava, com sua já crescente surdez ficava o tempo todo perguntando:

- O que é que ela tá falando?

E eu ia explicar, já perdia a próxima fala. Não perdia muita coisa, é verdade, mas na época era novidade. Tinha o Albertinho Limonta que foi criado como filho da Mamãe Dolores mas só ele não percebia que ela não era a mãe dele. E não era mesmo, primeiro caso de milhares de outros de filho trocado nas novelas.

Quase meio século depois ainda não aprenderam a fazer novela contando outra história. Tem umas que até começam bem, pela chamada você já se anima, assunto sério da atualidade, clonagem, segregação racial… A coisa vai até indo bem lá pelo 10º capítulo, mas quando vai ver já começam a surgir as primeiras suspeitas de que há algo de podre no reino da Dinamarca. Quer dizer, da emissora lá que está apresentando a tal novela.

Acho até que cobram do coitado que escreve aquela porcaria. “E aí, já apareceram os bebês trocados?”. Alguns a gente só descobre no final da novela – que é o que eles chamam de “suspense”. Quando era pequena lá no século passado eu achava que “suspense” era sinônimo de filho trocado.

Quantas pessoas você conhece que já trocaram o filho com alguém? “Ah, o meu tem esse defeitinho aqui na orelha, além do mais eu queria menina, você tem uma menina mas queria menino, vamos trocar?” Pois é, rolou esse papo lá na maternidade quando tive minha filha, mas mesmo sendo ainda muito jovem, ainda bem que eu nunca fui muito fâ das telelágrimas, não troquei no final das contas. Mesmo no auge da estupidez que é inerente aos muito jovens acho que alguma coisa lá dentro da minha cabeça cheia de caraminholas e sonhos meio infantis e idiotas alguma coisa dizia: “Isso não vai dar certo”.

Mas em novela eles trocam. E nem precisa ter defeitinho na orelha, vão trocando assim como se fosse a coisa mais natural. Trocar filho é solução pra quase tudo em novela. O neto morreu, vou botar meu filho no lugar dele pra minha filha não ficar chateada. Mas claro que vou começar a escrever um diário hoje mesmo, contando tudo tintim-por-tintim que é pra jogar na cara daquela ingrata se ela nem assim tomar jeito.

E o mais incrível é que por mais secreto que seja o top-secret segredo, eles sempre acham um jeito de deixar tudo por escrito em algum lugar e depois esquecer aberto assim como quem não quer nada em cima de algum móvel onde a empregada semi-analfabeta e pra lá de mexeriqueira vai facilmente xeretar. E em novela TODAS as empregadas são enxeridas e fofoqueiras, o que é uma maldade, nem toda empregada é fofoqueira. Eu pelo menos tive uma… deixa ver, tive tantas, mas tinha uma que não era. Deixa ver… Bom, deixa pra lá.

Depois ainda dizem que a arte imita a vida. Mas a vida de quem, caramba? Em novela ninguém trabalha e ficam comendo e bebendo o tempo todo. Já reparou que não importa se é da ala rica ou da ala pobre, toda família toma um café da manhã digno de hotel cinco estrelas? Uma vez vi numa revista especializada (tão ruim quanto as novelas que promove) que comida em novela dá IBOPE. Acredito mesmo. Aqui no Brasil tem gente que só vê comida boa e farta em novela. Pelo menos nesse ponto novela é mais útil que nossos governantes, não promete nada, não pede voto mas todo dia bota comida no lar do brasileiro, nem que seja só pra olhar. Olha com o olho e lambe com a testa, idiota. Quem mandou votar no homem?

Mais previsível que novela só mesmo reação de marido machista. “Mulher minha não sai com uma roupa dessas nem passando por cima do meu cadáver”. Isso lá na frente dos amigos dele. Lá de dentro vem a voz da mulher do dito-cujo. “Alfredo, cadê o Neve?”. E o machão bota o rabo no meio das pernas, adoça a voz: “Já tô indo, amorzinho”. Os amigos machões do moço entendem a situação, lá na casa deles é a mesma coisa. Marido sempre dá a última palavra, ou as últimas palavras: “Tudo bem, amor”.

E em novela todo homem casado e rico tem amante. E amante bonita e vagaba. Só o idiota é que não vê que tem armação por trás. Aliás em novela toda amante bonita e vagaba de homem rico e casado também tem amante. Sarado e cafageste, que acaba papando até a esposa do homem casado e rico. E namorando a filha dele, pra ódio mortal do homem casado e rico e da mulher do homem casado e rico.

E já viram como tem coincidência em novela? Acho que o Murphy quando foi escrever aquela lei dele lá se inspirou numa novela da rede Bobo, ou de outra emissora qualquer, dá no mesmo. Já viram como mesmo numa cidade grande como São Paulo ou Rio só fica naquela panelinha? Todo mundo conhece todo mundo, namorado de uma é primo da outra, que é amiga da ricaça da outra ala da novela, que conhece o primo da outra sem saber que ele de fato é seu irmão que foi entregue pela mãe pra tia da amiga da amiga que por sinal curte uma paixãozinha pelo primo e é amante do pai da amiga ricaça mas não sabe que ele é pai dela. E depois ainda querem que a gente ENTENDA!

Eu desafio o FDP que conseguir escrever uma novela sem usar:

- FILHOS TROCADOS

- PAIS TROCADOS

- MIL COINCIDÊNCIAS

- GENTE IDIOTA QUE DEIXA OS SEGREDOS TODOS ANOTADINHOS (deve ser pra não esquecer, aí vai ser segredo mesmo)

- GENTE MAIS IDIOTA AINDA QUE ESCREVE OS SEGREDOS TODOS E DEPOIS ESQUECE EM CIMA DE UM MÓVEL (só pode ser pra ver o circo pegar fogo)

- NOVELA COM DUAS ALAS – a rica que tem mordomo e frequenta o “soçáite” e a pobre, que toma cerveja, curte uma gafieira e vive dando baixaria.

O dia em que aparecer uma novela assim, eu juro que assisto, só não sei se vai dar IBOPE. Ah, e no café da manhã, só um cafezinho preto,  puro e um pão com manteiga, por favor! Vamos adequar de vez essa m* à realidade do povo brasileiro!

Leia também:

A ciência do drama

Juro que tentei

Ano novo, briga velha

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Edir Macedo e a Justiça

Postado em Policial com as tags , , , , em 13 Agosto, 2009 por Zailda Coirano
Antes de ir para "o outro lado" parece que o bispo vai amargar um tempinho no xilindró.

Antes de ir para "o outro lado" parece que o bispo vai amargar um tempinho no xilindró.

Agora resolveram processar o bispo Edir Macedo. Vejam só, já é um progresso. Há anos eu ouço falar do uso abusivo da igreja para conseguir mais e mais dinheiro, das igrejas espalhando-se pelo mundo afora. Não que eu tenha nada contra a igreja, inclusive acredito que 99,99% dos fiéis da igreja agem de boa-fé. Mas aproveitar-se da (boa)fé alheia para enriquecer não é crime? Deveria ser crime hediondo, aproveitar-se da fragilidade de quem procura em momento de desespero para além de depenar o incauto, ainda prepará-lo para arrebanhar mais incautos e assim engordar o cofrinho. Cofrinho? Se chamarmos milhões de dólares de cofrinho, vá lá.

Não é o caso de vender terreno no paraíso, mas convencer os devotos a fazer voto de pobreza e entregar tudo para a igreja me parece uma baita de uma picaretagem, não é não? Sempre desconfiei de igreja que põe dinheiro no rolo, na hora da salvação da alma. Se entrava numa igreja e iam logo falando em dinheiro, eu mais que depressa dava no pé. Não compreendo como para elevar meu caminho espiritual eu tenha que me desvencilhar de bens materiais, ainda mais se tiver que passar esses mesmos bens que eu não posso ter para o pastor da igreja. Se eu não posso ter, por quê é que o pastor pode?

Se é verdade que para ir para o paraíso a gente tem que se livrar dos bens materiais, ao que parece o bispo Edir vai queimar no fogo do inferno – segundo o que ele mesmo prega – porque tem milhões de dólares. Só isso já bastava para mostrar a safadeza. E por falar em safadeza, aí vai uma piadinha:

Estavam conversando um padre, um rabino e o bispo Edir Macedo. Debatiam os métodos que cada um usava para separar o dinheiro dado pelos fiéis, o que seria empregado em obras para Deus e o que seria de uso pessoal.

- Eu – diz o padre – desenho um círculo no chão. Entro no círculo e jogo o dinheiro para cima. O que cair dentro do círculo é meu, o que cair fora uso para as obras de caridade da igreja.

- Eu – diz o rabino – traço uma reta. Fico em cima dela e jogo o dinheiro para cima. O que cair do lado direito é das obras, o que cair do lado esquerdo é meu.

Então chega a vez do bispo Edir Macedo:

- Eu sou bem mais prático. Jogo o dinheiro para cima, o que Deus quiser já segura lá com ele, o que cair no chão é meu.

?????????????

É, parece piada mas acho que na “vida real” era mais ou menos por aí. E antes de espiar seus erros em lugar bem quentinho, parece que o Bispo terá que se explicar e passar um tempinho vendo o sol nascer quadrado.

É importante prestar atenção às atitudes

Postado em Brasil com as tags em 11 Julho, 2009 por Zailda Coirano

Esse texto eu recebi por email, me fez refletir e apesar de tê-lo considerado um tanto “agressivo”, não deixa de ter um fundo de verdade:

OS BRASILEIROS SÃO ASSIM:

- Saqueiam cargas de veículos acidentados nas estradas.
- Estacionam nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas de proibição.
- Subornam ou tentam subornar quando são pegos cometendo  infração.
- Trocam votos por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Falam no celular enquanto dirigem.
- Trafegam pela direita nos acostamentos num congestionamento.
- Param em filas duplas, triplas, em frente as escolas
- Violam a lei do silêncio.
- Dirigem  após consumirem  bebida alcoólica.
- Furam filas nos bancos , utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
- Espalham mesas , churrasqueiras nas calçadas.
- Pegam atestados médicos sem estar doentes, só para  faltar ao trabalho.
- Fazem gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Registram imóveis no cartório num valor  abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios , tentando pagar menos impostos.
- Compram recibos para abater na declaração do imposto de renda para pagar menos imposto.
- Mentem sobre a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Quando viajam a serviço pela empresa, se o almoço custou 10 pedem nota de 20.
- Comercializam objetos doados nessas campanhas de  catástrofes.
- Estacionam em vagas exclusivas para deficientes.
- Adulteram o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Compram produtos piratas com a plena consciência de que são piratas.
- Substituem o catalizador do carro por um que só tem a casca….
- Diminuem a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus,  pulam as catracas do metrô sem pagar passagem.
- Emplacam o carro  fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
- Frequentam os caça-níqueis e fazem uma fezinha no jogo de bicho.
- Levam das empresas, onde trabalham, pequenos objetos como clips, envelopes, canetas, lapis….  como se isso não fosse roubo.
- Comercializam os vales transportes  e  vale refeição que recebem das empresas onde trabalham.
- Mãe e filha ficam em filas diferentes para ver quem chega primeiro.
- Falsificam tudo, tudo mesmo… só não falsificam aquilo que ainda não foi inventado…
- Quando voltam do exterior, nunca falam a verdade quando o policial pergunta o que trazem na bagagem…
- Quando encontram algum objeto  perdido, a maioria não devolve.

E querem que os políticos sejam honestos?…

se escandalizam com a farra das passagens aéreas…

Estes políticos, que aí estão, saíram do meio desse mesmo povo…. ou não ?

Homem falha ao engravidar a mulher do vizinho

Postado em Bobeirol com as tags , em 8 Julho, 2009 por Zailda Coirano

Essa eu recebi por email e quase morri de rir. Pode até ser que seja verdade, então aí vai a história. No final, você decide:

“Um homem que vive na Alemanha foi processado por não conseguir engravidar a mulher do vizinho, depois de ser contratado por 2 mil euros (cerca de R$5,7 mil) para isso.

Demetrius Soupolos e a mulher, Traute, queriam ter uma criança, mas descobriram que Soupolos não poderia ter filhos. Por isso, decidiram contratar Maus, na esperança que o homem casado e com dois filhos pudesse engravidar Traute. A informação foi divulgada pela publicação alemã “Bild”.

Depois de seis meses e nenhuma gravidez – com uma média de tentativas de três vezes por semana -, Soupolos insistiu para que Maus passasse por exames médicos. Os testes mostraram que o vizinho também é estéril. Por isso, a mulher de Maus foi obrigada a admitir que as duas crianças não eram dele.”

Decida você o que é pior:

1) Ir a justiça cobrar um cara que pegou sua mulher por seis meses.

2) Contratar um cara para pegar sua mulher por seis meses.

3) Descobrir que você é estéril enquanto tenta engravidar a mulher do vizinho, recebendo pra isso.

4) Descobrir que os dois filhos que você tem não são seus.

5) “Cornear” o vizinho e descobrir que já foi corno, no mínimo duas vezes.

6) Todas as anteriores.

BBB e outras BBBobagens da TV

Postado em Bobeirol, Comportamento com as tags , , em 22 Março, 2009 por Zailda Coirano

Não há dúvida de que o programa agrada aos telespectadores de modo geral, mas como eu não me auto-definiria como “telespectadora”, reservo-me o direito de não gostar. Não, definitivamente não gosto desse negócio de ficar assistindo às armações e picuinhas mesquinhas de um punhado de gente que nem conheço trancafiadas numa casa luxuosa sem nada para fazer a não ser arquitetar meios de passar na frente dos outros no gosto popular e abocanhar um milhão.

Que me perdoe aí o Silvio Santos mas o nome do programa está errado, deveria chamar “tudo por dinheiro”. Ao longo do programa as máscaras vão caindo e o ser humano mostra do que é capaz para ganhar tanto dinheiro. Praticamente qualquer coisa: trair “amizades”, deixar o “amor” de lado, esquecer o “grupo”. As emoções humanas são deixadas de lado em nome do “jogo”.

Claro que eu sei que o objetivo é esse mesmo, talvez também o de expor o lado mais mesquinho e pequeno do ser humano, mas não sinto o menor prazer vendo isso. Não me agrada esmiuçar as pequenezas do cotidiano de quem faz tudo para puxar o tapete alheio para conseguir um lugar ao sol. Não vai aí nenhuma crítica às pessoas envolvidas, uma vez que mostram apenas o que somos em nossa grande maioria: um amontoado de palavras, emoções relegadas a segundo plano em prol de um “bem-maior”: o dinheiro.

O pior é constatar que o “vale-tudo” é bem digerido pelo público que não só entende como também concorda com os desfechos mais ou menos doentios dos arremedos de relacionamento surgidos dentro da “casa”. E a casa torna-se o palco da mais nova novela global, com roteiro bastante conhecido do grande público pois trata-se da representação do que temos dentro de cada um de nós.

O BBB levanta uma questão: o que cada um de nós estaria disposto a fazer por muito dinheiro?

Estupro é crime ainda?

Postado em Comportamento com as tags , , em 3 Março, 2009 por Zailda Coirano

Poxa, mas está difícil, hein? Ainda continuo recebendo comentários na postagem sobre o estupro da garota que teve sua imagem publicada na internet. Ou muito me engano ou os homens desse país continuam achando que o fato de uma mulher andar com esta ou aquela companhia, ir a este ou aquele lugar, vestir essa ou aquela roupa lhes dá o direito de fazer sexo com ela CONTRA A VONTADE DELA.

O que caracteriza o estupro é ser contra a vontade de um dos dois, se ambos concordam com o ato não é estupro. A lei entende que uma menor embriagada (e eu acho que ninguém embriagado) não consegue decidir com exatidão se o que está fazendo é certo ou errado, portanto fazer sexo com UMA MENOR EMBRIAGADA é crime. Exibir, publicar, ver ou ter vídeos de menores fazendo sexo É CRIME DE PEDOFILIA.

Isso tudo segundo as leis brasileiras. E não adianta discutir, estuprou é estuprador, lugar de estuprador é na cadeia. Não adianta atacar a moral da vítima porque ela vai continuar sendo vítima perante a lei. Está na lei e nem adianta discutir. Se ela era virgem ou não, se tinha uma conduta assim ou assado, isso é problema dela. A partir do momento em que alguém resolveu fazer sexo com ela contra a vontade dela passou a ser caso de policia.

Homem que diz que “caiu na rede é peixe”, “conseguiu subir na calçada eu traço” e outras frases idiotas do gênero precisam aprender a respeitar as mulheres, porque está na cara que não gostam de mulher, gostam é de se exibir. E se usar de violência ou outro método de coação (embriaguez, drogas, etc) e se for com uma menor, são criminosos. Não adianta querer me convencer de que focinho de porco é tomada.

E eu não estou defendendo menina nenhuma, estou defendendo o direito de qualquer mulher (independente de ser virgem, menor, vagabunda, prostituta, etc.) de dizer NÃO. E uma vez dito o não, que seja respeitado. Fazer à força é estupro. E acabou-se, não tem como convencer ninguém de que estupro não é estupro.