A campanha eleitoral estava boa demais pra ser verdade

EleiçõesHoje eu vou fazer como aquele personagem do Jô Soares, que ficava se matando, se torturando. Um dia botava um sapato 3 números menor, no outro queria subir o Corcovado de joelhos.

Vou ter que inventar algum tipo de auto-flagelação, porque no primeiro turno, quando ouvi aquele discurso do Serra, de que “essa ia ser uma campanha limpa, que ele ia apenas falar sobre sua proposta de governo e que em nenhum momento apelaria para o ataque pessoal” EU ACREDITEIII!!!!!!!

Com a mais ingênua boa-fé eu juro que acreditei que não veria o Serra nem os seus simpatizantes falando um monte de coisas ruins sobre a Dilma (que não terão tempo de provar antes da eleição) e distorcendo todas as palavras dela.

Fazer de conta que a gente não sabe que milhões de mulheres fazem abortos clandestinos por ano no Brasil e que muitas têm complicações porque são atendidas de forma precária seria – no mínimo – uma hipocrisia. Agora dizer que ela “é a favor da morte de criancinhas” só porque quer tornar o que existe “de fato” em algo “de direito” é uma mentira deslavada.

Quando se tentava votar a lei do divórcio no Brasil houve revolta em certos meios, sendo que a proposta só legalizaria o fato que já existia: os casais se casavam e quando não dava certo, se separavam. Ninguém iria mudar isso, a ideia era só legalizar o que milhões de pessoas queriam. Não se obrigaria ninguém a divorciar-se contra a vontade, nem a família (como instituição) deixaria de existir (como de fato não deixou) como pregavam os que atacavam a legalização do divórcio.

Agora que se tenta fazer com que nossas leis estejam mais de acordo com a realidade brasileira (milhões de fetos são abortados por ano, e isso é fato, sendo ilegal ou não), lá vêm os mesmos moralistas de carteirinha com a ladainha cristã. Se o fato de o aborto ser ilegal impedisse alguém de o fazer, ou se protegesse a vida dos não-nascidos, não aconteceriam os abortos, porque ele já é ilegal. O fato de ser legalizado também não fará com que ninguém que – por motivos religiosos, esprititualistas ou seja lá porque for – seja contra o aceite ou seja obrigado a fazê-lo.

Eu jamais faria um, sob qualquer circunstância, mas não é porque é ilegal. Eu não faria porque respeito a vida humana. Mas não respeito só a vida humana do feto, a da mãe também tem que ser preservada, se a mulher pensa de forma diferente de mim e decide fazer um aborto (que no momento é ilegal), estará arriscando também a própria vida.

Mas agora os “religiosos” estão contra a Dilma. Pura hipocrisia. Estão todos “horrorizados” porque ela é a favor do aborto, porque ela falou em Cristo de forma que consideram desrespeitosa. Mas quero ver quantos desses que agora estão “horrorizados” e usam esse “pretenso horror” para atacar a Dilma, na igreja. Quero ver se vão lá toda semana, se confessam, comungam e – sobretudo – se também seguem os outros mandamentos: não roubar, não cobiçar as coisas alheias, não cobiçar a mulher do próximo

Ou será que dependendo das pesquisas do IBOPE eles escolhem qual mandamento irão respeitar e qual irão ignorar?

assinatura fundo preto peq

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