BBB 11: Bem Bonitos e Bobos

bbb-11Eu assumo que gosto do BBB 11, não vou ser hipócrita e dizer que não assisto. Assisto sim, não perco um dia. É comum a todo ser humano aquele sentimento de diversão frente ao ridículo alheio. E nem é nossa culpa, eu ainda não sei o que leva 17 (ou mais) seres humanos a trancarem-se numa casa com estranhos para servirem ao gáudio do povão durante alguns meses.

Ficam separados de suas famílias e amigos durante meses, não saem em natal ou carnaval, ficam à margem dos noticiários, por fora de eleições, crimes, desastres naturais e outros provocados pela estupidez humana (esses mais frequentes que os anteriores). Bem, acabei de encontrar uma boa razão: alienação.

Quer outra ótima: não ver o Galvão Bueno, a Xuxa, a Ana Maria Braga, o Jô entrevistando a si mesmo na frente de seus convidados, o Fantástico e o Domingão chatão do Faustão sem educação.

Quer mais? Meses sem trabalhar, longe do chefe, da sogra chata, da namorada exigente, dos amigos puxa-sacos, do irmão impertinente. Até filho acho que a gente ama mais quando está longe, vendo só pela telinha em dia de paredão. Até pai que renega o filho aparece em dia de paredão, gente! Perdão incondicional para todas as bobagens, problemas e besteiras feitas no passado, passa-se uma borracha em tudo e está todo mundo lá, gritando feito macaca de torcida de cantor de rock em dia de paredão.

Imagino que quem se expõe ao ridículo em rede nacional possa citar um milhão e meio de motivos para estar lá; acredito que a emissora possa citar bilhões de motivos em comerciais e anunciantes novos, pagando os tubos pra figurar no imenso picadeiro armado para que nos deliciemos espiando a vida alheia.

Na tela vemos mais um novelão com script escrito por autor não mencionado, e enquanto se enovelam todas as emoções e burrices humanas nós rimos e rolamos de tanto rir do lado de cá. E rimos de novo, e de novo. Gente, isso tudo é uma palhaçada do gênero pastelão. Será que escolhem a dedo esses figurantes apetitosos para prender nossa atenção enquanto desfilam suas bundas saradas e recitam frases feitas nessa comédia pastelão onde vemos representados todos os “tipos” com os quais convivemos em nossa vida real? Estarão eles conscientes do quanto são caricatos seus fracos personagens?

Talvez o que nos leve a ver seja a mesma atração que sentimos pelos filmes trash, pelo cirquinho de interior, pelo mal feito, quando nos sentimos superiores por conseguirmos identificar cada tropeço, cada defeito e cada erro de continuidade.

Nesse jogo de 7 erros nos divertimos enquanto derrubamos um a um num tiro ao alvo cibernético, as balas são torpedos de nosso celular. Com as teclas abatemos os desafetos, deixando apenas os bobos para o final. De apenas um deles será o reino dos céus.

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