A longevidade do homem moderno

Narra a Biblia – e se tem livro confiável é a Bíblia – que Matusalém viveu 969 anos. Ah! – dirão vocês – Isso é inacreditável! Eu até que acredito, acho até bem possível e vou explicar porque.

Lá no tempo de Matusalém era possível uma pessoa viver tanto tempo, ao contrário do homem moderno que aos 40 já está enfartando, porque no tempo de Matusalém não tinha camada de ozônio furada, não tinha poluição e muito menos usina radioativa jogando lixo atômico em rios para envenenar os peixes.

Também não se tem notícia de que houvesse muitos acidentes no trânsito (vai ver respeitavam mais as leis e os sinais e usavam cinto de segurança e capacete para pilotar seus carros de boi ou seja lá o que usassem naquele tempo). Não havia seqüestros e ninguém levava vida sedentária na frente de um computador.

Não existia controle remoto (que chato!) portanto as pessoas tinham que tirar a bunda da cadeira e fazer no muque mesmo, e com isso se livravam das doenças de coração.

Stress não havia porque ele não ficava preso no trânsito na hora do rush e não estava nem aí se as ações da bolsa ou o dólar caíssem. E nem se preocupava com os juros do empréstimo dele no banco. Pra ser mais exata, nem existiam ações nem dólar – e a melhor de todas – nem bancos. Nem banqueiros pra esfolar o coitado do velhinho.

Quando Matusalém fumava era um fumo puro, que não continha mais de 4.000 substâncias tóxicas que não sei quem foi o espírito de porco que resolveu botar lá. E quando bebia água, ela não continha coliformes fecais. E se tomava uma caninha ela não continha etanol.

Na época de Matusalém era possível viver mais porque os cientistas ainda não tinham inventado os vegetais trangênicos, não havia cirurgiões plásticos de araque que operavam sem licença, sem condições de higiene nem anestesista (?). Também não se tem notícia de que ninguém naquela época fizesse lipoaspiração ou que ao menos soubessem que diabo é isso. Acho que nem precisavam, porque não subiam nas montanhas de elevador e nem tinham inventado o açúcar nem o chocolate e nem o sorvete.

Que se saiba era muito raro – senão impossível – que alguém desabasse lá de cima e morresse de desastre de avião. Antes de Santos Dumont, se alguém tinha já a brilhante idéia de sair voando por aí por cima das casas ficou só na idéia e nem se arriscou a colocar em prática para não ser internado no hospício. Ou ser mandado para o hospital. E se fosse pelo INSS aí é que Matusa não ia durar muito mesmo, como não tinha INSS ele viver seus 969 anos sem nunca ter ficado à míngua numa fila de dar dó.

Como não havia corrupção nem PCC nem quadrilhas de seqüestradores também não havia PM e talvez esse seja um dos fatores que contribuíram para a longevidade do já citado velhote, já que não havendo PM não corriam o risco de serem abatidos por engano ou tomar bala perdida em confrontos entre PMs e traficantes de morro. Naquele tempo havia morro mas ainda não havia sido tomado pelos traficantes.

Naquele tempo não havia traficante, nem presidente, nem trangênico, nem PM, nem comida com corante e conservante, então nem vejo vantagem em viver tanto assim. Queria ver o Matusa viver agora que temos todo esse progresso e facilidades já citadas da vida moderna. Ou ele enfartava, ou tomava uma bala perdida, ou morria na fila do INSS. E se nada disso desse certo, com certeza pularia da janela do apartamento, porque eu duvido que ele se metesse a besta de viver no nosso mundo de hoje por 969 anos. 69 e olhe lá…

(Zailda Coirano)

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