Maníaco do Arco Íris de Carapicuíba

Estamos acostumados a ver nos filmes e seriados de TV americanos, lá pelo segundo ou terceiro crime a polícia já desconfia que há um “serial killer” agindo. Aqui no Brasil parece que a coisa anda de forma diferente. Imaginem que em Carapicuíba houve 13 assassinatos de gays no mesmo local no prazo de um ano e só agora a polícia relacionou os crimes e deduziu brilhantemente que se tratava de um maníaco (ou serial killer). Isto porque os assassinatos ocorreram todos no mesmo lugar, mais ou menos no mesmo horário e as vítimas foram encontradas sem roupa.

Depois de dedução tão brilhante e rápida só temos que dar os parabéns à nossa polícia, que pelo visto está tratando direitinho da nossa segurança.

Se demoraram tanto para ligar os crimes, eu fico aqui imaginando quanto tempo levará para descobrir o criminoso e – mais ainda – para julgá-lo e metê-lo atrás das grades.

Falando em polícia, algumas observações e comparações entre o comportamento dos brasileiros e dos gregos quando se trata de erros policiais no blog Fala Sério.

Aparentemente a polícia continua uma várzea como sempre e a segurança entregue ao Senhor.

(Zailda Coirano)

20 Respostas to “Maníaco do Arco Íris de Carapicuíba”

  1. Bah, assisti na TV esses dias a polícia falando sobre a brilhante dedução deles. Falaram algo como “Não podemos divulgar nada certo por que ainda não temos certeza de nada, mas tentaremos fazer todo possivel ainda que acontece o 14º assassinato”. Algo assim…
    Fiquei pasma…
    http://www.vitoriabernardi.com/

  2. Posso lhe afirmar que os Policiais Civis do Estado de São Paulo são os melhores policiais do mundo. Fazer o que fazemos com as condições que temos – sejam legais, financeiras, materiais – só é possível com extrema dedicação e capacidade profissional.
    Infelizmente o preconceito não permite que as pessoas façam as análises imparcialmente. É muito fácil criticar quando o modelo usado é compoto por filminhos ou seriados da TV ou do cinema… A realidade é diferente. Na vida real, os tiros matam… Na vida real, uma equipe investiga mais de 50 crimes simultaneamente…Na vida real, nem computador a delegacia tem, quanto mais as inovações tecnológicas que vemos nos CSI’s da vida.
    Recomendo aos críticos que se informem um pouco mais sobre a REALIDADE para não incorrerem em injustiças.
    Flávio Lapa Claro
    Investigador de Polícia
    DAS/DEIC
    http://otira.wordpress.com

    • Não há aqui no blog nenhuma crítica aos policiais civis, tudo o que foi citado refere-se à Polícia Militar. Que não há treinamento e equipamento suficiente para os PMs é algo que até as próprias autoridades assumem. Só que se faz necessário tomar medidas urgentes porque a população não pode ficar à mercê desses policiais. Hoje o PM responsável pela morte do garoto João foi inocentado, talvez por se reconhecerem esses fatores. Assisti agora a pouco ao tiro que um PM deu por engano num torcedor, que veio a falecer hoje.
      Naturalmente que ninguém espera que os policiais sejam modelos, mas isso que acontece é inadmissível.

  3. Não esqueçamos que todas as vítimas são gays. Isso conta com mais descaso da polícia e de toda a sociedade e se deu em um local onde as testemunhas que, por acaso existam, nunca exporão sua opção sexual para depor.

    • Sim, me parece descaso mesmo, por serem homossexuais me parece que qualquer idiota veria a ligação entre os crimes, o pior cego é aquele que faz questão absoluta de não ver de jeito nenhum. Porque não interessa ver, porque não se importa, porque está pouco se lixando.

  4. O pior crítico é aquele que baseia suas certezas em inverdades trazidas pela falta de conhecimento. Quem investiga crimes é a Polícia Civil. A função da Polícia Militar é fazar o patrulhamento preventivo ostensivo. Nada tem a ver com investigação. Portanto, as críticas neste post se referem, sim, à Polícia Civil. Talvez a transcrição de um artigo que escrevi durante a greve dos policiais civis de São Paulo possa ajudar aqueles que não sabem diferenciar uma de outra.:
    ___________________________

    CORDÃO DE ISOLAMENTO
    Ao retornar para minha casa, após participar da manifestação de hoje (10 de outubro de 2008), dei uma fuçada nos noticiários para ver se finalmente seria publicado algo interessante a respeito do nosso movimento. Para minha enorme surpresa, todas as notícias que vi deram mais destaque aos “problemas causados para o trânsito” pela passeata que aos motivos da greve… Mas o que me levou a parar para escrever a respeito foi a notícia no SPTV.
    Com a maior convicção, a repórter afirmou que apesar de a POLÍCIA MILITAR ter feito um cordão de isolamento, o trânsito na Paulista ficou complicado…enquanto ela passava essa desinformação, a imagem mostrava as motos do GARRA acompanhando a passeata.
    Um repórter de um órgão de informação do porte da Rede Globo não pode se dar ao luxo de cometer um erro tão crasso. No entanto, consigo entender os motivos.
    Cabe à Polícia Militar o patrulhamento ostensivo fardado, enquanto a Polícia Civil é responsável pela Polícia Judiciária. Por uma mera questão de PODER, os policiais militares se travestem de policiais civis, quando executam funções típicas de Polícia Judiciária, como investigações, inquéritos, etc. Estão até fazendo boletins de ocorrência…Por outro lado, nós, Policiais Civis, usurpamos as funções dos Policiais Militares, fazendo patrulhamento ostensivo fardado, escolta de presos, operação isso, operação aquilo, cordões de isolamento para passeatas… Enquanto isso, deixamos de executar os atos típicos de nossas funções – investigação, inquérito policial, entre outras.
    Quando o atual delegado geral de polícia assumiu o cargo, arrotou grosso dizendo que priorizaria a investigação policial. Mentiu. Não se passou UM dia sem que pelo menos uma equipe da DIVISÃO ANTISEQUESTRO fosse escalada para uma operação qualquer. A tal da operação Cingapura – que alguns apelidaram de pingapura – foi o ápice do absurdo. A zona norte da capital é, historicamente, a região da cidade com a menor incidência de casos de extorsão mediante seqüestro. No entanto, DIARIAMENTE, por muito tempo, uma equipe tinha que deixar de fazer investigação sobre um crime tão brutal para ficar torrando combustível e desfilando de viatura caracterizada, para que a população da zona norte tivesse uma falsa sensação de segurança. Poderia citar aqui inúmeros exemplos, mas creio ser desnecessário, pois todos conhecemos essa triste realidade.
    Quando era secretário geral da AIPESP, acompanhava mensalmente as alterações nas quantidades de policiais lotados em cada unidade. Não me recordo bem dos números, mas existem cerca de 13.500 cargos de investigador de polícia criados por lei – ponha aí 500 a mais ou a menos. Na época, cargos efetivamente supridos eram cerca de 11.200. Subtraiamos um doze avos desse número, devido às férias…outro décimo, devido às licenças – médica, gestante, prêmio (aqui estou sendo extremamente otimista, creio que um décimo não basta, mas facilita o cálculo e não altera a conclusão). Tiremos ainda, desse total, os que exercem funções policiais, mas que nada têm a ver com a investigação – escolta de fulano, corpo de segurança de tal ou qual prédio, assessoria do DGP, assessoria do SSP, e outros que agora não me recordo. Chutando muito alto, devem sobrar aí, dos 11.200, uns 7000 investigadores de polícia – em todo o estado – para exercer as funções de polícia judiciária. Até aí, nenhuma novidade. O prejuízo acontece quando vemos mais policiais fazendo ronda que policiais investigando. Na minha opinião, aquilo que os menos avisados chamam de “grupos de elite” nada têm a ver com a Polícia Civil. GARRA, GOE, GER, Ronda disso, Ronda daquilo… servem tão somente para diminuir os já parcos recursos humanos disponíveis para a prestação de um bom serviço de polícia judiciária. Além disso, parece-me – leigo que sou em Direito – que se trata de um caso muito claro de usurpação de função pública.
    Argumentam os pavões que defendem esses grupos e as tais operações que o que eles fazem é patrulhamento preventivo especializado. Quando ouço isso, fico pensando que o saudoso mestre Coriolano Nogueira Cobra deve dar voltas e mais voltas em seu túmulo, por tal aviltamento e deturpação de seus ensinamentos.
    Mais grave ainda fica a situação, quando solicitamos uma bateria para uma viatura descaracterizada, e a resposta é: não tem e não há previsão de chegada, enquanto vemos as viaturas caracterizadas serem tratadas a pão de ló.
    Tudo isso me levou a uma conclusão: o atual Delegado Geral de Polícia seria um ótimo oficial da meganha. Mas tem que mudar um pouco seus conceitos para que a instituição que comanda possa minimamente cumprir com as suas funções de Polícia Judiciária.

    Flávio Lapa Claro
    Investigador de Polícia
    DAS/DEIC

    (publicado no blog INVESTIGADOR DE POLÍCIA (http://otira.wordpress.com)

    • Logo após responder seu comentário anterior eu já havia percebido isso que você me disse, que criticando a demora na descoberta da ligação entre os crimes de Carapicuíba na verdade estava criticando a Polícia Civil e não a Militar. Você tem toda razão. Então vamos organizar as coisas: como cidadã eu estou barbarizada com a quantidade de erros da Polícia Militar, alguns resultando na morte de inocentes. Citei o exemplo da Grécia, onde o povo não assiste a esse tipo de coisa pacificamente. Não acho entretanto que a violência seja a melhor opção, mas continuo acreditando que é necessário que a PM seja adequadamente armada, treinada, e sobretudo que antes de entrar para a PM o candidato passe por um exame psicológico rigoroso para evitar que pessoas frustradas ou que tenham o Rambo ou o Cobra como herói na infância não entrem para a Polícia, para descarregar suas frustrações nos inocentes.
      No caso em particular de Carapicuíba, me perdoe a sinceridade, mas você há de convir que perceber a ligação entre os crimes só no 13º é um indício claro de descaso, incompetência, falta de preparo ou o que queira chamar, mas talvez se acordassem antes algumas (precisosas) vidas seriam poupadas. Ou será que não houve interesse em investigar a sério por tratar-se de homossexuais?
      Como leiga não sei qual o melhor caminho para se conseguir uma polícia que realmente nos proteja, se é patrulhando ou investigando, e até acho que você tem razão no seu post, mas como cidadã não sei os caminhos mas cobro resultados. Polícia para coibir o meliante e não para matar o inocente. Para descobrir bandidos e não para arquivar casos. Que há problemas graves dentro da instituição está claro e não sei nem quero saber de quem é a culpa, o que eu quero é que se dê valor à vida humana, e enquanto se procuram culpados não se encontram soluções.
      Enquanto se debate quem deve fazer o que, quem deve tomar providências e que providências deveriam ser tomadas, seres humanos estão morrendo e o que mais me entristece é que isso poderia ser evitado.

  5. Não entendi se o Flávio não gostou do que eu falei ou se foi de tudo geral, mas como ele disse eu sou mesmo leiga, não sei nem a diferença entre policia civil e militar na verdade, horrivel eu sei…
    O que falei ali em cima foi o que vi na televisão e nem sei quem foi que falou só fiquei um pouco espantada que depois de 13 assassinatos a pessoa em questão disse que ainda não sabia de nada e que “esperava” que não houvesse o 14… achei muito ruim talvez o modo como ele se expressou, pq mostra que estamos “esperando” que não aocnteça e esse não deveria ser o caso… Talvez assim como tu falou eu esteja me baseando muito em filmes, etc, e por isso esperava ouvir “- Faremos o nosso melhor, estamos atrás, temos pista” ou algo mais otimista assim… Não estava criticando a pessoa em si mas o modo como ela falou só me passou mais insegurança.
    http://www.vitoriabernardi.com/

    • Estive vendo uns vídeos sobre a polícia no mundo e me parece que são muito bem treinados. A coisa do treinamento é levada a sério e não é só nos filmes não. Recentemente vi uma entrevista no Jô com um brasileiro que participou dos treinamentos da polícia americana, que criticou a atuação da polícia no caso Eloá e ficou claro para mim que há sim, um treinamento, mas que nem sempre os policiais agem de acordo com ele.
      No caso do torcedor são paulino morto essa semana por um PM, está claro no vídeo que foi um acidente, não havia intenção de matar, mas o PM deu uma coronhada no rapaz e pelo que os entrevistados deixaram claro na TV isso não é a forma de abordagem recomendada no caso.
      O treinamento existe para evitarem-se esses “acidentes” que têm custado vidas humanas, mas o despreparo do policial deixa o treinamento em segundo plano.
      E eu concordo com você, Vicky. A forma da polícia agir está nos causando mais insegurança.

  6. Concordo plenamente com vc. Providências têm que ser tomadas com urgência para a melhor qualificação profissional dos policiais no Brasil. Para que isso ocorra, o primeiro item de pauta é forçar os nossos governante – em todos os níveis de atuação (Federal, Estadual e Municipal) – a assumirem que, juntamente com a EDUCAÇÃO e a SAÚDE de qualidade, a SEGURANÇA PÚBLICA é obrigação fundamental do Estado. Enquanto isso não acontecer, podemos esquecer quaisquer esperanças de recebermos o tratamento de CIDADÃOS cumpridores de nossas obrigações que merecemos e exigimos.
    Um país em que a LEI DA RESPONSABILIDADE FISCAL limita os gastos do Estado com a folha de pagamento a menos de 50% da receita não é sério. Como é possível fornecer EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA à população sem que seja possível gastar com PROFESSORES, PROFISSIONAIS DA SAÚDE e PROFISSIONAIS DA SEGURANÇA ?
    Já faz muito tempo que nossos sucessivos governantes se esqueceram que EDUCAR não é sinônimo de construir escolas… que construir hospitais é só uma pequena parte do que se entende por prover SAÚDE DE QUALIDADE para a população… e que SEGURANÇA PÚBLICA não se faz apenas com o fornecimento de armas e coletes balísticos.

    Tudo isso poderia, realmente, ser evitado, se NÓS pensássemos um pouquinho mais ao apertamos aqueles botõezinhos das urnas eletrônicas. Infelizmente, continuamos votando no MENOS PIOR.

    Abraços

    Flávio Lapa Claro
    Investigador de Polícia
    DAS/DEIC

    • Sou da área da Educação e concordo com você, a Educação vem sendo sucateada a cada ano no Brasil, hoje em dia o aluno não precisa aprender nada, basta freqüentar a escola que vai sendo promovido. Quando vai exercer sua profissão (seja policial, professor ou médico) está completamente despreparado.
      Junte-se a isso o descaso do governo com a polícia, sem treinamento sério e adequado, sem equipamento, sem uma atenção maior e temos a Segurança Pública ao Deus dará.
      Um povo sem uma educação decente fica à mercê dos Messias dos tempos modernos, que se auto-proclamam “Salvadores da Pátria” e conseguem milhões de votos à custa de demagogia.
      Junte-se tudo isso e o resultado é o que temos aí.

  7. Vicky, nada a ver com o que vc falou. Só fico muito chateado quando as pessoas comparam coisas que são incomparáveis. Não há como comparar a polícia brasileira com qualquer outra do mundo. Já começa pelo absurdo da existência de duas polícias por Estado, além das federais. Duplicidade de gastos com estruturas que competem entre sí. Continua com a absurda legislação criminal vigente no país. Nos EUA, por exemplo, se o policial determinar que o suspeito coloque as mãos na cabeça e ele não o fizer, o policial o mata e está tudo certo. Aquí no Brasil o policial tem que apanhar para poder reagir.
    Quanto às notícias que se vê na televisão, gostaria de perguntar quantas ocorrências as polícias brasileiras atendem todos os dias, e quantas dão errado como as que são noticiadas ? Podem ter certeza que na maioria ABSOLUTA das ocorrências os policiais agem corretamente. Só que isso não é notícia, não vende jornal nem dá ibope. Então, não é noticiado. Só os erros.
    Quanto ao “especialista” que participou do programa do Jô, ele é instrutor de DEFESA PESSOAL da SWAT. NADA A VER COM GERENCIAMENTO DE CRISE. Um imbecil que não faz a menor idéia do que aconteceu no caso ELOÁ. Quem matou a ELOÁ foi a imprensa. Que não deixou a Polícia trabalhar, mostrando ao vivo absolutamente TUDO o que os policiais faziam. O q não aconteceria nos Estados Unido, por exemplo. Lá é a Polícia que determina se pode ou não haver transmissão ao vivo. Até mesmo o Espaço Aéreo pode ser fechado, se o oficial no comando assim o decidir.
    Imagino o comandante da operação do caso Eloá tentando afastar a imprensa…kkkkkkkkkkkkkkkk
    Tudo uma questão de cultura.

    Abraços
    Flávio

    • Esclareço que quando comparei a polícia americana à brasileira usei a americana apenas como parâmetro. O que eu gostaria de ver acontecer é que a polícia brasileira fosse um dia igual à americana, não a real, mas a dos filmes. Sei que é apenas um sonho, mas o que se espera da polícia é apenas que exerça seu papel.
      Claro que sabemos que há muitos problemas e deficiências a serem sanadas, mas a sociedade que votou nesses governantes que estão aí tem a obrigação e o direito de exigir deles que destinem verbas, organizem e que dêem atenção à nossa polícia. Concordo que um policial deveria ganhar um salário que correspondesse ao risco de exposição que sua função exige, já que a cada dia põe sua vida em risco para proteger a dos demais membros da sociedade. E que deveriam ser melhor selecionados, principalmente os da PM.
      Naturalmente que não tenho só queixas da polícia, em muitos casos sei que ela é eficiente e coisa e tal, mas o que não se pode permitir é que casos de policiais abatendo inocentes se multipliquem, ou mesmo que aconteçam. São fatos isolados para nós que vemos o noticiário, mas com certeza não o são para as famílias das vítimas.
      Pensar que “foi apenas um erro, um caso isolado” é um erro, ontem foi com alguém lá em outro estado, amanhã poderá acontecer com você ou comigo. Sei que a fatalidade pode acontecer a qualquer momento, mas não me conformo jamais com a idéia de que pode acontecer causada por uma falha que poderia ser evitada.

  8. Só para embasar minhas afirmações…
    Um presentinho para a Professora. É uma crônica do grande mestre Rubem Alves (meu ídolo), sobre o papel da imprensa…
    http://www.rubemalves.com.br/seraquealeituradosjornaisnostornaestupidos.htm

    Abraços
    Flávio

  9. Eu estou cursando Direito e estudamos esse semestre sobre a diferença de justiça, no caso, por exemplo, entre Brasil e EUA. O professor mesmo disse, que se tu está nos EUA e alguém mandar parar, o melhor é nem respirar por que lá primeiro atira depois pergunta, e a própria populaçã concorda com isso (álias, eu também concordo, acho que se tu tentar fugir, ou qualquer coisa é por que tem algo a esconder), já aqui, no caso Eloá por exemplo, muitas vezes podiam ter atirada pelo que eu saiba e não atiraram por que aqui não pode fazer isso… Muitos falavam que “-ahhh por que não atirou, deveria matar logo.” mas isso é muito contraditório, por que se tu atira xingam que atirou, se não atira e acontece o que aconteceu, então a menina morreu por que ninguém fez nada… imagino o quanto deve ser dificil ser um policial, e respeito bastante.
    http://www.vitoriabernardi.com

    • Também respeito os policiais e entendo que deve ser difícil a profissão, mas a partir do momento em que está nela, deve ser treinado para agir com eficiência. O policial não tem que tomar decisões morais nem agir por conta própria, tem que agir de acordo com a orientação na situação.
      Trabalhei por 19 anos como caixa de banco e tínhamos treinamento sobre como reagir em caso de assalto em todos os detalhes, ninguém tinha que pensar nada, era só agir de acordo com o treinamento e pronto.
      Não se sabe o que teria acontecido se os policiais tivessem agido de outra forma no caso Eloá, e não há dúvida que a pressão da imprensa transformando um seqüestro num circo não ajudou em nada para evitar que o pior acontecesse, mas a meu ver a polícia não tomou nenhuma das medidas que eram de se esperar, motivados pelo medo do julgamento público depois, ou pela falta de preparo ou mesmo por falta de equipamento, isso deixo para os especialistas julgarem. Mas que o desfecho não foi satisfatório, acho que nisso todos concordamos.

  10. FINAL DE ANO

    Dizem que nenhuma amizade sobrevive a uma discussão sobre Política, Futebol ou Religião. Não sei se tal ditado se aplica a todo mundo, mas eu posso dizer que já tive algumas amizades abaladas devido às minhas convicções religiosas. Porque não suporto rituais. Missas, cultos, orações decoradas e repetidas (às vezes gritadas numa situação de histeria coletiva) sem que se atine para o seu sentido real…não me fazem a cabeça. Respeito quem curta esse tipo de coisa, mas a minha relação com o Ser Supremo é íntima demais para ser exposta.
    As comemorações religiosas, como o Natal, Páscoa, Paixão, dia de santo tal ou qual, perderam totalmente seu significado, até mesmo para os mais fervorosos devotos. Não sabemos o motivo nem a origem das comemorações, mas ainda assim gastamos todo o 13º salário comprando presentes para os outros. Como se isso nos fizesse seres humanos melhores e nos redimisse das nossas culpas.
    Nossa Constituição proíbe qualquer tipo de discriminação, inclusive a religiosa. Ainda assim, feriados religiosos existem às pencas. Mas para comemorar datas cristãs. Nunca ouvi falar de um feriado que comemorasse o nascimento de BUDA, ou de MAOMÉ, aqui no Brasil…
    É por isso que nunca me incomodou trabalhar no natal e não poder estar com a minha família. De fato, nestes 21 anos de Polícia posso contar nos dedos de uma das mãos as noites de natal em que não trabalhei.
    No entanto, neste ano estou me sentindo diferente.
    Ao acabar minha licença prêmio, a primeira coisa que fiz foi anotar a minha escala. Mais uma vez, escalado para: plantão no dia 24, e operação Papai Noel no dia 25. Isso me incomodou profundamente. Não pelo fato de ter sido escalado para trabalhar enquanto a grande maioria se diverte. Isso faz parte da profissão. Mas por todo o conjunto de acontecimentos relativos à Polícia Civil do Estado de São Paulo ocorridos durante o ano.
    Não só pela postura do GOVERNO e da JUSTIÇA frente às nossas reivindicações, mas pela clara demonstração que para os que estão no poder – isso inclui diversos colegas policiais – somos nada além de uma despesa inútil a ser controlada. Excluo deste rol o TRE-SP.
    Também pela postura da população de São Paulo, que, apesar de entender e, em grande parte, apoiar as nossas reivindicações, não conseguiu apreender a totalidade da situação, nem as causas da falência total dos serviços essenciais que o ESTADO deveria prover, e reelegeu prefeito o assecla mor do patrão, dando uma clara indicação que a situação de calamidade reinante nas áreas da Educação, da Saúde e da Segurança Pública que hoje presenciamos pode se prolongar ainda mais.
    Como se pode ver, não tenho muito a comemorar. Exceto o AMOR da minha família. Exceto a obtenção do tão almejado título de Enfermeiro, e a aquisição de todo o conhecimento relacionado. Exceto a drástica redução do número de seqüestros em São Paulo, conseguida graças a MUITO TRABALHO e DEDICAÇÃO dos meus colegas e amigos da Divisão Anti-Seqüestro, que, além de combaterem os criminosos ainda têm que conseguir tempo para participarem de todas as operações comédia que nossos superiores hierárquicos insistem em inventar, apesar de não fazerem parte de nossa função. Que ainda se dispõem a dar manutenção para as viaturas do Estado para que a população possa ter um atendimento minimamente adequado. Que usam seus próprios equipamentos para trabalhar, para que o risco corrido por uma vítima de seqüestro seja minimizado.
    Ainda assim, apesar de toda a frustração pelo ano que se encerra e a expectativa de que o ano vindouro seja ainda menos producente em termos de satisfação profissional e pessoal, espero que todos – em especial aqueles que, como eu, estarão trabalhando durante estes dias de festa, longe de suas famílias – tenham um ano com MUITA PAZ, MUITO AMOR e MUITA DIGNIDADE. E que as minhas expectativas sombrias demonstrem ser fruto de um raciocínio ilógico, totalmente equivocado.

    Abraços a todos.

    Flávio Lapa Claro
    Investigador de Polícia
    DAS/DEIC

    • Nossa, adorei seu comentário, disse tudo o que havia para dizer, só tenho a acrescentar:
      Bom natal junto aos seus
      meus votos para que em 2009 nossos governantes levem nossa polícia a sério, porque disso depende nossa segurança
      e que a população aprenda a separar o joio do trigo na hora de votar.

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