Eloá e garota de Joaçaba – de vítima a ré

Acho imperdoável que se procure desculpas para os atos do assassino de Eloá e dos estupradores da jovem de Joaçaba. Estou firmemente convencida de que um homem de caráter não faz sexo sem o consentimento da parceira e se ela não estiver em condições de consentir (por estar alcoolizada ou se for muito jovem) ele simplesmante não faz sexo com ela. E que um homem de caráter aceita quando a namorada o deixa, respeita sua posição e suas razões, não tenta namorar à força.

Qualquer relação tem que satisfazer aos dois lados e não só a um deles. Quem consegue o que quer pela força está errado, forem quais forem suas motivações.

Eu não roubo, não mato e não estupraria por razões internas: meus valores morais, os ensinamentos de minha família, minhas crenças religiosas, meus conceitos de certo e errado, minha obediência às leis. Minhas ações não são norteadas por dados externos tais como as circunstâncias, o ambiente, os companheiros. Tampouco são motivadas por julgamentos subjetivos como minha opinião sobre o outro, sua conduta, a antipatia ou atração que eu sinta por ela.

Um serial killer é motivado pelo fato de que se sente como juiz e executor. Ele julga o comportamento de suas vítimas e decide executá-las, baseado em seus próprios e altamente questionáveis “valores morais”. Não temos esse direito e quando nos conferimos a posição de julgar os outros e decidir seu destino ou de decidir de que castigo são merecedores, nos vestimos de juiz ou de Deus, e depois nos tornamos executores de nossa própria sentença.

Matar é errado, imoral, é contra tudo o que pregam a igreja e as leis terrenas, e não existe um “a não ser que…” portanto não há desculpas para um assassinato, seja ele de quem for. Para sobrevivermos em sociedade, temos as instituições que julgam e que executam as sentenças, não podemos nos arvorar em “justiça”. Não podemos decidir: aquele merece morrer, aquele não. Da mesma forma não podemos decidir quem tem ou não o direito de fazer sexo sem o próprio consentimento. Só se faz sexo com quem também o quer. A violência não tem justificativas, sob nenhuma circunstância ou motivada pelo que quer que seja.

A sociedade como um todo tem culpa na má formação do caráter dos jovens? Pode ser. Mas alegar em sua defesa a conduta das jovens é uma forma de fomentar esse tipo de distorção de caráter, é passar a mão na cabeça do cão que hoje ataca o vizinho, mas que amanhã atacará o dono da mão que o afaga agora.

Para viver em sociedade é necessário respeitar suas leis, é necessário respeitar os direitos de seus membros e cumprir também os seus deveres. Quem viola as normas sociais, legais ou éticas será julgado e condenado. À vítima cabe denunciar. Ao juiz, julgar. Quem aponta o dedo para as jovens esquece que poderia estar em seu lugar. Ou uma filha sua. Ou uma irmã. E fosse ela santa ou pecadora, ainda assim teria o direito igual ao de cada um de nós de decidir o que fazer com o próprio corpo e também o sagrado direito à vida.

A sociedade deve garantir a seus membros o direito à uma vida digna e à preservação de sua integridade física. Quem atenta contra esses direitos ou não os respeita tem que pagar pelo que fez, independente de ter desrespeitado o direito desse ou daquele membro.

Não defendo a garota que estava talvez em um local impróprio para sua idade; não defendo Eloá a quem nem conheci; não sei como foram criados os jovens estupradores, se tiveram ou não quem os orientasse e estou ciente de que o assassino de Eloá havia levado uma vida digna até tornar-se um assassino. Entretanto creio que isso fica agora relegado a segundo plano. Os crimes foram cometidos e os criminosos, motivados pela razão que seja, são apenas isso: CRIMINOSOS. Que crime cometeram? Um cometeu assassinato. Os outros, estupro.

2 Respostas to “Eloá e garota de Joaçaba – de vítima a ré”

  1. Olá
    Adorei o post,mto bem colocado,hj em dia as noticias estão cada vez piores,cada dia um crime barbaro que comove e deixa indiguinados os brasileiros.
    Te convido a conhecer meu blog tb,espero sua visita.

    Abraços.

  2. Nossa, que presteza, nem bem acabei de postar… Vou lá dar uma olhada no seu blog sim, claro.

    Quanto aos bandidos (é o que são), acho que não há desculpas para eles.

    Obrigada pela visita e volte sempre!

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