Final trágico do seqüestro em Santo André

Este não é um blog sério mas abro parêntesis para falar no caso do seqüestro em Santo André, assunto que tratei ontem no blog Empatando a Vida dos Outros e que hoje tem um final trágico, depois de mais de 100 horas (desse tipo, o mais longo do país) durante as quais a polícia tentou incansável e inutilmente negociar com o ex-namorado ciumento cuja dor de corno necessitava destruir vidas humanas para reparar sua honra de macho ferido mortalmente em sua honra.

Se a honra do rapaz foi ferida mortalmente quando foi rejeitado por sua amada (?) já é fato sabido, mas que sua amada (???) o fosse também após tantas e tão dolorosas horas de negociação é o que ninguém podia prever. Pelo menos não alguém da polícia, pois esse caso trazia em si um cheiro de desgraça desde seu início, coincidindo com o início da semana e também da angústia para parentes, amigos e vizinhos da garota, que não tiveram mais sossego nem descanso desde que o caso começou, e nos parecia evidente que a coisa toda acabaria em tragédia. Só a polícia parecia não ver isso e acatava todas as exigências do topetudo rapaz.

Aparentemente armou-se um circo – ou um quartel-general, como queiram – ao redor daquele que teve seu inflado ego de macho porco-chauvinista latino enxovalhado pela suprema audácia da adolescente que o rechaçou. Motivos deve tê-los tido aos montes, como ficou provado após o desfecho triste dessa história macabra, tantas vezes reprisada por esse Brasil afora.

A diferença é que esta foi cercada pela polícia e pela imprensa durante mais de uma centena de horas que se arrastaram angustiantemente perante nós através de nossas TVs, trazendo para dentro de nossos lares a descabida medida, segundo a qual uma vida feminina vale menos que um macho ultrajado. À medida que as horas se escoavam aumentava nossa apreensão aqui do outro lado, e tudo caminhava para um final trágico e infeliz.

As garotas aparentemente não entendiam a gravidade da situação em que estavam metidas, como sói acontecer nesses casos de macheza levada até às últimas conseqüencias. Normalmente a mulher só se dá conta de que ciúme e sentimento de posse em demasia podem matar – literalmente – quando já é tarde demais. Presas na armadilha do amante ciumento-possessivo que acaricia-lhes o ego alegando uma paixão desenfreada, só vão perceber que pagaram um preço alto demais por tão duvidosa lisonja quando já é tarde demais.

As mais jovens iludem-se e deixam-se levar enquanto o amante tresloucado faz cenas que tornam-se cada vez mais violentas e nem se dão conta de que essa violência agride não somente seu físico, como também (e principalmente) sua integridade emocional e moral. Os sinais de perigo tornam-se mais evidentes à medida que o pretenso amante vai perdendo cada vez mais a razão – se é que em algum momento a teve.

Descartado, ferido em seu amor-próprio, sente desejo de vingança, de reparação – de preferência pública para deixar bem claro quem é que saiu por cima – e nesse exercício pleno de poder sobre o que não lhe pertence nem jamais poderá pertencer, porque cada ser humano pertence apenas a si mesmo, as conseqüencias são imprevisíveis. Ou bem previsíveis se levarmos em conta o número de casos dos chamados “crimes passionais”.

Que são passionais não se discute, mas a “paixão” que move a mão e domina a mente dos criminosos não poderá nunca ser chamada de “amor”. São movidos pela raiva, pelo vil e mesquinho desejo de vingança contra alguém que não vêem como um ser humano igual a si mesmos, e sim como um ser que não merece o direito de viver se não for debaixo de seu jugo e em seu poder, para que dele façam o que bem lhes aprouver.

Só tenho a lamentar que a intervenção policial não tenha acontecido a tempo de evitar o evitável e que tantos outros casos como esse estejam nesse exato momento iniciando-se e talvez tenham num futuro mais ou menos próximo o mesmo desfecho. Relacionamentos doentios nascem todos os dias e é preciso ter muita maturidade e cabeça fria para reconhecê-los quando acontecem. Perceber quando o ciúme deixa de ser uma demonstração de amor e começa a ser um sinal de desequilíbrio emocional pode ser a diferença entre a vida e a morte para algumas de nós.

(Zailda Coirano)

Anúncios

4 Respostas to “Final trágico do seqüestro em Santo André”

  1. Sem grandes comentários!
    Uma tragédia na vida de duas crianças-adolescentes iniciando a vida.
    Que importa agora se é um louco,um bandido,um corno mau amado,um sequestro mau administrado por órgãos competentes ou não…
    Terminou numa tragédia com três famílias destruídas também!
    Lamentáve e muito tristel!!!

    Zailda responde:
    Concordo com você, acho que estamos todos revoltados com o desfecho desse caso tão triste, mas infelizmente não incomum. Para Heloá já é tarde demais, o diagnóstico é o pior possível, mas há muitas outras “Heloás” por aí, que precisam ser alertadas.
    Apareça sempre!

  2. […] Final trágico do seqüestro em Santo André Este não é um blog sério mas abro parêntesis para falar no caso do seqüestro em Santo André, assunto que tratei […] […]

  3. Assim…
    Minha opiniao eh q tudo comessou errado, pq uma menina comessar a namorar com 12 anos e abisurdo… ne?!

    Zailda responde:
    Pois é, começam muito cedo sem saber julgar as pessoas, envolvem-se com as pessoas erradas e no fim dá no que se viu…

  4. sinto munto vai deixa saudades que deus abençois vcs obs= eduque seua filhos para ñ crecer e fazer besteira xauuuuuuuuu manda nayara mim adicionar bjssss

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: