Tentando uma vaguinha no setor público

Uma pesquisa recente revelou que anualmente cerca de 10 milhões de brasileiros prestam concursos visando um emprego público. O salário é algo em torno de até 3.000 reais para ensino médio, o que pode ser bom para iniciar, mas levando-se em consideração que a maioria estará ganhando ainda o equivalente a isso quando se aposentar, já que as oportunidades de promoção são bem mais restritas que no setor privado, o que parece é que quem tenta um cargo público tem em vista uma palavra mágica: estabilidade.

Trabalhando no setor privado o funcionário tem mais chance de crescimento e reconhecimento, mas isso implica em riscos. Se a empresa não vai bem ou resolve fazer um “corte”, lá se vai o emprego. No setor público é raro o corte e conseqüente demissão do funcionário.

O governo – apesar de queixar-se constantemente de falta de verbas para seus planos e ministérios – continua sendo uma fonte quase inesgotável de empregos. Há parlamentares inclusive que empregam até sua família, e nesse caso o piso salarial costuma ser bem mais elevado. E nem precisam passar por concurso público nem nada, nesse caso particular de criação de cargos para a parentada, a genética (ou os laços por casamento) costumam ser tão ou mais eficientes para se conseguir uma vaga no serviço público que um concurso.

Mas eu falei “serviço” público? Que me perdoe aí o leitor o deslize, eu quis dizer “emprego” público, porque os funcionários contratados por sangue ou matrimônio não estão absolutamente procurando por trabalho, um emprego e o conseqüente salário já bastam.

Mas ao que tudo indica a mamata vai acabar, o nepotismo será banido em breve, pelo menos estou acompanhando uma série de movimentos em relação a isso. Mas como aqui no Brasil para se votar uma lei já é um problema – há que conciliar inúmeros interesses, conseguir quórum, negociar e renegociar, uma trabalheira danada – uma vez aprovada a lei ainda há prazo para entrar em vigor, depois há toda uma série de salamaleques até que se consiga decidir de que forma ela será cumprida.

Bem, depois de todo esse transtorno causado aos nossos ilustres parlamentares, que decididamente não estão lá para votar leis para sanar problemas criados por eles mesmos, será que seria pedir demais querer também que ela fosse colocada em prática?

(Zailda Coirano)

2 Respostas to “Tentando uma vaguinha no setor público”

  1. Bom, a lei já foi votada; só falta cumpri-la na íntegra…
    Isot eu digo do combate ao nepotismo…

    Zailda responde:
    Isso no Brasil pode ser um problema, se votar já é complicado, cumprir a lei então…

  2. Eu hoje não acredito em mais nada!!!
    Temos emprego,mamata,QI(Quem indicou),entrar pela janela…trabalho mesmooo…só os de grandes caráter tem.
    Vivemos num país de oportunistas,infelizmente.
    Tenho até mais adjetivos para esses lindos,mas melhor parar por aí!
    Mas como diz o velho ditado:”A esperança é a última que morre”.
    Quem sabe?

    Zailda responde:
    E depois o governo reclama de falta de verbas…

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