De bruxa a fada do lar

Durante as aulas tenho certeza que alguns alunos esperam me ver chegar montada numa vassoura, nem que seja uma vassoura elétrica, já que sou uma professora chegada em tecnologia. Mas no fundo dá no mesmo, aluno fica rezando pra professora bater a vassoura de frente com uma nuvem de granizo compacto tamanho família e ficar pelo menos uns 3 meses fora do ar, de preferência sem substituta. Ou seja, várzea total.

Como as aulas estão em recesso, estou aqui curtindo minhas curtas mas merecidas férias. Insuficientes, curtas, poucas, mas férias. E aí vai dando uma preguiça até de entrar na internet que Deus me livre. Dá preguiça até de abrir o olho de manhã. Vontade que o mundo acabe em barranco, pra morrer encostada.

E isso quando as férias já estão terminando. A praga das férias é justamente essa, a gente passa 2/3 das férias organizando a bagunça que aprontou durante o período de trabalho e aí quando o corpo se toca que está de férias e se prepara pra relaxar e descansar, está quase na hora de voltar e a gente tem que fazer os preparativos para o período de trabalho que tem pela frente. Férias pra ficar bom mesmo o negócio, tinha que ser de pelo menos 6 meses. Aí o corpo relaxava mesmo. E virava uma bruxa como querem os alunos. Com verruga no nariz e tudo.

Mas enquanto finjo que descanso vou dando uma de “fada do lar”: cozinho, lavo, passo, lavo louça e já está na hora de começar a cozinhar tudo de novo. Se a gente não comesse nem usasse roupa não haveria necessidade desse trabalho escravo doméstico todo. Donde se conclui que as roupas e a comida são os maiores escravizadores da mulher. E não se pode esquecer a poeira. A poeira é pior que pensamento ruim: a gente espanta, espana, apaga. Daqui a pouco está tudo lá de novo, com mais um pouco por cima. Aqui em Diadema parece a capital do pó, nunca vi. Limpa, limpa, limpa. Quando acaba já está na hora de começar a limpar de novo.

Acabo me sentindo uma “amiga da vassoura”, seja como meio de transporte durante as aulas ou ajudante na limpeza nas “pretensas férias”, ela está sempre a postos. Aliás vida de mulher não tem nada a ver com férias. Enquanto descansa, carrega pedra. Eita mundo injusto. Homem já não faz nada quando trabalha, quando descansa além de não fazer nada ainda faz a maior bagunça. Quando meu marido está de folga em casa, a casa vira um caos. Em todo lugar que se olha há cinzeiros cheios, papel de bala, peças de roupa, sapatos. E homem pede tudo. “Cadê meu chinelo marron? Cadê minha camiseta azul? Cadê o controle da TV?” Se homem fosse proibido de falar “cadê”, pelo menos quando houvesse uma mulher por perto, isso reduziria em pelo menos 50% da conversação.

E já viram como homem reclama? Dor de cabeça, azia, calor, cansaço, preguiça, programação da TV, volume do mp3. Tudo é motivo pra homem reclamar. Quando não tem nada que reclamar, reclama que o tempo não passa, ou que o dia está passando muito depressa. Dou minha cara a tapa se um homem conseguir ficar meia hora perto de uma mulher (principalmente a dele) sem reclamar ou pedir nada.

Quem já tem filho adulto como eu, pensa que vai ficar na mordomia nas férias. Ledo engano. Vão os filhos, fica o marido pra gente pajear. E paparica daqui, traz isso e aquilo, nunca é o suficiente. Homem além de dependente e reclamão ainda é insatisfeito por natureza, sempre quer mais e mais. Talvez seja da natureza humana, ou talvez nós é que os tenhamos condicionado assim. Mas homem parece que tem bicho carpinteiro, não pára quieto, toda hora pedindo, reclamando… E se dorme ronca. E ainda reclama que quem ronca é a gente. Por mais que uma mulher ronque nunca será como aquele ruído ensurdecedor de acordar vizinho que eles fazem a noite toda. E ainda por cima puxam a coberta.

Homem além de tudo é folgado, esparrama na cama toda, ronca e puxa a coberta. Isso quando não acorda a noite toda pra ir ao banheiro, tomar água, essas coisas. E ainda liga a TV no meio da noite se perde o sono. Acordo desnorteada, e lá está meu querido marido zanzando pela casa porque perdeu o sono. Perdemos, então.

Ai, meu Deus! Que saudade da escola!

(zailda coirano)

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Uma resposta to “De bruxa a fada do lar”

  1. Parabéns Fada do Lar!
    Consegui fugir dessa vassoura,viu?
    Aos 52 anos ainda não entendi muito a minha vida.
    Fui criada para pegar nessa vassoura,mas me neguei o tempo todo!(Risos)
    Preferi ser professora(sonho de menina) e substituir a vassoura pelo arcaíco giz.(risos)
    E também odeio dormir!(Risos)E dona de casa que não dorme…afff…!!!
    Bjsss…milll…

    Zailda responde:
    Eu juro que também tentei fugir da vassoura, e temos mto em comum: vou fazer 51 em outubro e sou prof aposentada (mas na ativa), fui criada para isso mas na verdade demorei mto a assumir esse papel, só msm agora com os filhos crescidos e casada de novo (de novo) rsss
    Qto a dormir, sou msm uma coruja, só depois da meia-noite!
    Apareça sempre!

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