Idéias nem tão brilhantes

A história que contarei agora seria cômica se não fosse trágica, e por motivos que logo ficarão claros, não vou citar nomes. O personagem central do caso trabalhava num presídio, onde tinha que estar às 6 da tarde. Quem trabalha num presídio tem horários rígidos, mas como estamos no Brasil, que é terra onde meia hora de atraso ainda é considerado dentro do horário, existe uma tolerância (se é que se pode chamar assim): o atraso é tolerado desde que não exceda 4 horas. Depois de 4 horas a entrada do funcionário no presídio não é mais permitida.

Quem me dera se eu tivesse essa tolerância! Só ia ficar chato para meus alunos, se eu tivesse uma aula às 2 da tarde e eles tivessem que me esperar até as 6. Nem poderiam marcar compromissos pra depois da aula. Mas preso não tem compromisso e com certeza, atrasado ou não, quando o funcionário chega lá estão todos esperando. Ou pelo menos isso é o desejável.

Pois consta que o rapaz saiu à tarde com uns amigos e como estava calor abusou das cervejas, sabe como é, papo vai, papo vem, desce uma cerveja, desce outra, desce mais… quando vai ver o tempo voou e o rapaz já estava atrasado. Pior que isso: estava muito atrasado.

Desesperado voou para o presídio mas quando finalmente chegou já eram 10:30. Ele não poderia mais entrar. Começou então a imaginar uma maneira de entrar no presídio e é nas horas de desespero que o diabo sopra aquelas idéias que a gente vai lamentar depois pelo resto da vida e se perguntar onde estava com a cabeça quando foi fazer aquilo. Pois naquele dia o diabo estava de plantão – e nem estava atrasado – e como veremos, com a corda toda. Com ou sem ajuda, o rapaz teve uma idéia simplesmente “brilhante”: pular o muro.

Claro que eu, você que está lendo e qualquer outra pessoa em sã consciência já pode imaginar de antemão que isso ia dar merda, só que não foi o que o rapaz pensou. Levado pelo nervosismo, ou por um ataque de loucura, ou talvez por mera e simples burrice, passou da idéia à ação e pulou o muro.

Em pular o muro ele pensou, só não pensou que ia tomar 2 tiros de 12 na perna. Pois foi o que aconteceu. Agora eu pergunto: quem é mais burro ou doido? Quem pula o muro do presídio ou quem mete bala em quem está “fugindo pra dentro” do presídio? Tudo bem que o muralha está lá pra vigiar, mas acho que mais pra evitar que os presos pulem pra fora e não que os agentes pulem para dentro.

Se sou eu o muralha podia pular todo mundo pra dentro que eu nem ia ligar. Se achassem ruim ia dizer: estou aqui pra não permitir fugas, agora se alguém quer ficar preso aqui dentro, quem sou eu pra não deixar?

E não é por nada não, mas do jeito que anda a coisa aqui fora, com PM fuzilando quem está passeando de carro, os muralhas do presídio podem se preparar porque se a moda pega logo não vai haver bala de 12 suficiente pra tanta gente que vai querer fugir lá pra dentro. E vão ter que contratar mais muralhas, gente!

(zailda coirano)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: