É dia de feira!

Estava na feira agora a pouco (parte de minhas tarefas semanais como boa dona-de-casa que tento ser) e ouvi uma frase interessante, dita por um rapaz que vendia verduras, berrada a todo pulmão por seu orgulhoso autor:

– Aí, mulherada! Vamos gastar o dinheiro do marido para ele não gastar com a outra!

Quem me conhece deve imaginar a cara que eu fiz na hora. Frase de extremo mau-gosto assim devia ser guardada para a intimidade da alcova e não bradada em público. Como marketing pode até valer, partindo-se do pressuposto que todas as mulheres que estão na feira sejam idiotas ou sejam sustentadas pelo marido. Ou que tenham marido.

Imagino que algumas realmente foram para a feira com a grana do consorte – o que não era o meu caso. Mas dou um troféu para aquela que conseguir gastar em frutas, legumes e verduras o equivalente ao que um marido gasta em poucas horas no motel com uma amante. Pra essa eu tiro o chapéu, e haja couve, abobrinha e cebolinha…

Em segundo lugar, tá fácil que eu vou nessa que marido que tem amante dá o dinheiro todo pra mulher pra levar a amante pro motel COM O TROCO DA FEIRA. Esse feirante está por fora, ou então leva a amante no MATEL. Mas se em todo caso a mulher for otária o suficiente pra cair nesse marketing tupiniquim e simplista (altamente questionável, diga-se de passagem) do vendedor de hortaliças, poderá chegar à lógica conclusão de que se quiser mesmo gastar o dinheiro do marido, poderá fazê-lo de forma mais confortável e milhões de vezes mais agradável num salão de beleza ou numa boutique da moda, por exemplo.

Por quê a mulher é otária se cair nessa? Ora, vamos e convenhamos: o fato de não ter dinheiro (ou o troco da feira) sobrando nunca impediu nenhum homem de ter amante (ou amantes). Sou da geração de mulheres que têm conta conjunta com o marido, e algumas (que eu sei, não adianta negar) levam tudo contadinho ali, no riscado, conferem cada cheque, cada retirada… e têm galhas que se não fossem apenas em sentido figurado, as deixariam enganchadas nos fios de eletricidade da rua e nunca iam conseguir entrar num Fusca!

Deixar marido sem grana não resolve nem garante nada; controlar tudo o que entra e sai (em matéria de dinheiro bem entendido…) também não. Aí você pode aparecer com a tal pergunta: e o que é que resolve?

Bem, se chegamos até aqui não custa nada ter um pouco mais de paciência comigo. Calma que um dia a gente chega lá. Mas então vejamos: se a mulher que me faz essa pergunta é casada, e portanto tem um marido, eu devolvo a pergunta com outra pergunta: E eu é que sei?

Desde que o mundo é mundo fomos acompanhadas por gerações e gerações de homens infiéis (não todos, há raras mas honrosas excessões), quem é que vai dar jeito agora? Remédio não existe, se o seu é chegado em dar uma mijada fora do penico, ou você vai trocando de marido até achar um que seja broxa ou bicha, ou então compra uma lima. É, aí você vai limando os chifres à medida em que forem nascendo… um dia ainda se conforma com sua sina. Ou então vira lésbica, uai!

(escrito por Zailda Coirano)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: