Um mero detalhe

Aqui fala a voz do povão, esse povo mal-tratado que já perdia as esperanças de ver a cara dos tubarões do crime na cadeia, e eis que faz-se a luz e vemos pela TV uma quadrilha trilhardária enquadrada, na base do “teje preso”, com armamento pesado, algemas e tudo a que têm direito os criminosos. Eu disse criminosos? Desculpa aí o mau jeito, colega, mas apesar de serem a nata da mais fina flor da sociedade empresarial e política brasileira, não passam disso: criminosos. Quem comete crime é o que, hein?

Não perdendo a linha de raciocínio, vimos portanto a Polícia Federal enquadrar e levar em cana (em cana, sim, como pobre vai sempre) os bam-bam-bans que às custas de muita propina e corrupção conseguiram manter-se do lado de fora das grades por anos, movimentando e lucrando com um dinheiro que não lhes pertencia. E foi para gáudio das classes menos favorecidas economicamente que os vimos todos levados pela SWAT brasileira para interrogatório.

Mas vai que lá um juiz do Supremo entende que houve excesso de força, exibicionismo ou não sei lá mais o que e começa a criticar a “violência” empregada. Onde já se viu aparecer em casa de tão ilustres figuras tão tarde da noite, de armas em punho e ainda usar algemas? Todo mundo viu, olha só que vergonha a que foram expostas as ilustres figuras de nosso cenário econômico-político! Se fosse um vagabundo de rua ainda levava umas porradas pra deixar de ser sem-vergonha. Mas ladrões desse quilate, não. Há que ter respeito. Afinal a quantia que roubaram descaradamente esses anos todos é mesmo digna de respeito.

E baseado em que não havia necessidade de manter o Daniel Dantas na cadeia (tadinho) ele foi liberado hoje de manhã. E até agora estão discutindo se deveriam ou não ter usado algemas. É algo assim quase tão absurdo quanto debater se o Hitler ficava bem ou não com aquele bigodinho ridículo dele lá.

Esqueceram todos da pouca vergonha dos acusados que durante anos botaram suas mãozinhas cheias de anéis de ouro em cima do que é do povo e para o povo. Afanaram, surrupiaram, engordaram suas já polpudas contas no exterior com dólares destinados a amenizar a miséria do povo brasileiro. São um bando de bandidos, uma quadrilha de malfeitores, têm que ser tratados como bandidos, ora bolas.

Que têm dinheiro suficiente para pagar advogados que os tirem da cadeia para que possam aguardar seu julgamento em casa, comendo caviar que compraram com nosso dinheiro a gente já sabia. O que a gente não sabia é que além de tudo tinham que ser tratados com reverência e educação na hora da prisão. Reverência e educação essas que a polícia nunca usa com o povo que fica na linha de fogo entre bandidos e policiais no Rio, por exemplo. O povo na rua pode até levar bala perdida que ninguém acha ruim. A preocupação nacional nos meios jurídicos agora é se deviam ou não usar as algemas. Acho que (já que não têm nada melhor pra fazer ou para preocupar-se) deveriam juntar-se e criar uma “cartilha de etiqueta pra prender peixe grande”.

Só está faltando agora liberarem os outros integrantes da quadrilha com um pedido oficial de desculpas.

(zailda coirano)

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