Questão biológica

O feriado começa quente, não se fala em outra coisa no noticiário: a prisão do Pitta e seus comparsas. O Pitta é um exemplo do come quieto, pelas beiradas. Quando foi indicado pelo Maluf para a prefeitura de São Paulo, o Maluf garantiu que botava a mão no fogo por ele, e se ele aprontasse – isso falou claramente, lembro-me muito bem – que não era para votarem mais nele. De cara o Pitta envolveu-se em contas excusas e até hoje ninguém soube explicar onde foram parar os 500 mil frangos (ou eram só 500? Mas tanto faz, o sumiço fica sem explicação do mesmo jeito) que eram para a merenda escolar.

Acabou me saindo um belo de um safado o tal de Pitta, e hoje prenderam alguns membros de uma quadrilha que operava milhões, acusados de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, entre outras tantas que só rico consegue aprontar. Ladrão pobre bate carteira no ônibus ou arranca sacola de velhinhas na feira, ladrão rico comete uns crimes com nomes esquisitos (e sempre compostos) que só advogado consegue explicar exatamente o que são.

Com a CPI dos correios começaram a investigar operações envolvendo milhões de dólares e acabaram achando outro braço da quadrilha, e hoje acabaram prendendo até o cabeça da organização. Advogado entrando e saindo era o que não faltava hoje cedo na sede da Polícia Federal em São Paulo, o cheiro de dólares é farejado de longe por eles, acho que vieram só no faro. Êta nariz bão que advogado tem, sô!

Feliz ou infelizmente já argumentam os entendidos que houve toda uma “valorização de posse da bola” por parte da polícia, que entrou entrando, com pesados armamentos e com repórteres filmando, dizem que foi um circo. E afirmam que usaram algemas, um exagero segundo eles. Coitadinhos dos bandidos, sofreram por ficar sob a mira das armas e ainda por cima foram algemados! Que peninha deles! Isso depois de desviar e sonegar milhões que deveriam beneficiar a população carente (e nem tão carente). Olha, senhor juiz, estamos morrendo de pena deles. Acho que deviam servir caviar e vinho importado pra eles na prisão.

É, gente. A casa caiu. Ou antes, a mansão caiu – no caso. Foi tudo quanto é nego grande pro xadrez, ora que delícia. Não é todo dia que a gente vê criminosos desse porte e que normalmente têm costas quentes por trás das grades. Dessa vez foi tudo junto, desde o chefão até os testa-de ferro.

Agora é esperar que eles continuem atrás das grades. Dinheiro não falta pra pagar advogado, portanto o caso promete se arrastar por anos e anos sem fim, amém. Eu sinceramente não tenho estômago pra esperar por isso. Por mim prendiam os caras num presídio comum e jogavam a chave fora. Ninguém ia sentir falta.

(zailda coirano)

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